terça-feira, 19 de março de 2013

Sobre aquela senhorinha quase humana, mas inconveniente


(só para ter uma imagem para fazer graça, amanhã atualizo com uma ilustração minha. Mas gostei dessa velhinha...)
Um dia eu perguntei a vida: "E você acha isso justo?!". Ela se virou rápida, me encarou e disse pronta e secamente "Não". Girou em seus calcanhares e seguiu apressada, sem tempo para mais e sem o menor sensibilidade de me esperar. Eu não tinha tempo para discutir que aquilo era insano, só podia acompanhar e tentar me recuperar pelo percurso, até que ela resolvesse me surpreender novamente.

Quem sabe eu morra hoje. Sim, hoje parece ser um bom dia para morrer. Na verdade ele é tão adequado como qualquer dia. A morte pode caber em qualquer segundo de qualquer um dos meus dias. E hoje é um deles.  Poderia ser uma parada no coração ao receber uma descarga elétrica da minha torradeira. Talvez com um caroço de azeitona. Posso me engasgar e morrer comendo, o que não é nada mal. É, eu poderia sofrer da maldição da batata quente: por gulodice engolir uma batata muito quente que me mataria instantaneamente, queimando toda minha traqueia pelo caminho. Morta pela gula. Nem todos tem o privilégio de morrerem pecando, ou sendo tão estúpidos. Essa seria uma boa morte para hoje. Também posso escorregar em algum carpete, bater minha cabeça em um degrau e... essa não seria lá grande coisa, parece uma maneira seca de morrer. Gostaria de morrer em uma grande tragédia! Não que eu queira sofrer muito, mas pra que morrer se não podemos dar um espetáculo? Chocar! Sim, eu poderia ser a refém de um assalto ao banco e acabar com um tiro entre os olhos, só porque queria pagar minhas contas. De repente algo tão banal como pagar as contas se transformaria em algo realmente importante e significativo. Ou o avião onde estarei esta tarde pode cair, deixando sua trilha de lixo pelo oceano pacífico. O meu seria o primeiro corpo encontrado, desfigurado e destroçado. Demorariam a me identificar e meu cadáver chocaria o mundo! Sim, tem várias maneiras boas de morrer. Espero não tropeçar em um carpete.
Posso não morrer hoje, mas posso desenvolver alguma doença grave nesse instante. Essa que me derrubará na cama, fraca e debilitada. Ela deixará toda minha família e amigos no chão. Não de uma vez só, mas de maneira sádica sugará todos até que eu consiga, depois que já não for mais a mesma, partir. Pra onde? Oras, isso não importa, estamos discutindo aqui só a passagem, sem nos preocupar com o destino final.
De certa forma morrer tem sido super valorizado. Você pode fazer muitas coisas nessa vida que te transformarão em uma pessoa maior e melhor, mas, de certa forma, nada supera o momento da sua morte. Bater as botas é o melhor plano para quem quer reconhecimento. Todos de repente prestam atenção e lembram que você era bom a sua maneira. Qualquer porcaria que tenha produzido durante a vida vira ouro assim que você parte. Pena não estar lá para ver...
E por que não falar sobre a morte?
Essa senhorinha me espreita desde muito cedo. Tenho respeito por ela e até certa simpatia, afinal, existe coisa mais humana que a morte? Ela só faz seu trabalho e segue em frente, mas nós somos muito apegados, não sabemos perder, abrir mão, por isso não conseguimos aceita-la, somos de mundos diferentes. Não é culpa dela que sejamos assim tão despreparados à dor. Deve ser um trabalho solitário. E ela deve ficar indignada com nossa insistência na ignorância. Sabemos que a morte pode chegar a qualquer momento, para qualquer um, e nos fazemos de surpresos quando ela aparece. Nos esforçamos para esquecer que ela é uma visita que chega muitas vezes sem avisar, enquanto deveríamos ter sempre a casa arrumada para recebê-la. Claro que das primeiras vezes ela é um hóspede muito espaçoso e inconveniente, afinal quem ela pensa que é para invadir seu espaço sem nem pedir licença? Transforma a casa toda em uma bagunça! Apesar disso, depois que recebemos ela algumas vezes... não deixamos de ficar transtornados, mas já conhecemos a visitante e sabemos como ela nos atinge. Sabemos seus hábitos, sua rotina, como se move e reconhecemos o som da sua voz quando ela chama. E também sabemos que depois de tudo ela irá embora e poderemos arrumar a casa. Não como costumávamos arrumar, pois com a visita da morte algumas coisas quebram, outras se perdem. Sempre fica um vazio com a sua passagem.
"Mãe, você vai morrer hoje?" eu perguntava todos os dias, ironicamente ainda muito nova para entender que essa pergunta era indigna de uma criança que ainda não saiu do pré escolar. E ela sempre dizia a mesma coisa. "Não sei". Eu não entendia como! Ela deveria saber tudo! Tudo! E então... "Mãe, e eu?" Ela também não podia responder. Nem sobre o papai, sobre minha irmã, a vovó, minha professora do maternal ou o velhinho da venda dos doces. Eu não poderia saber quando me despedir, quando não estariam mais conosco. Queria que ela respondesse que eles partiriam na hora certa. Mas ela não mentiu. Não lembro quando parei de perguntar, só sei que a morte me acompanhou por muitos anos em pensamentos frequentes.
Procuro sempre estar preparada para tão ilustre visita, mas quando ela aparece e arrebata alguém muito querido sem aviso prévio, não tem como estar preparado. Logo que me apego a alguém começo a imaginar a morte que essa pessoa poderia ter. Uma mania boba, distração inocente. Tento lembrar todo dia que as pessoas do meu lado podem não estar mais aqui amanhã. E não amo todo mundo como se não houvesse amanhã, só me preparo para caso isso aconteça. Pessimismo? Levando em conta que você sabe que todo mundo vai morrer algum dia, eu chamaria de realismo. E não tem como se preparar de verdade para isso. Imaginar a morte dos outros não deixa mais fácil aceitar a partida deles, só deixa mais fácil entendê-la.
Por muitas vezes você não poderá aceitar a morte. Vai brigar com ela, usar todas as suas forças, todos seus argumentos, sua paixão. E por tantas vezes estará com razão de estar revoltado. Com razão ou não, a morte sempre vence.
Eu não tive medo da morte, quando criança, tinha curiosidade. E não tenho hoje. Ficou claro que nós, uma hora que ninguém pode determinar, morremos. E sim, todos podemos acabar com nossas vidas a hora que quisermos, mas mesmo quem tem esses impulsos não pode dizer quando vai, simplesmente... vai. O pior da morte não é não podermos ver as pessoas queridas nunca mais. É saber que não poderemos vê-las nunca mais. Se hoje você viajasse, fosse a um paraíso tropical sem pretensão de voltar, as pessoas não fariam um velório pela sua ausência. No máximo uma festa de despedida. Porque mesmo não tendo você, elas sabem que têm o direito de senti-lo. E quando se morre, esse direito é tirado delas. Têm que transformar você de amigo, amor, pai, irmão... em memória. E isso dói. Ter que superar as saudades mesmo não querendo ou concordando com isso. A saudade nunca vai embora. Mas a dor parte. Depois de um tempo você para de sofrer.
Estancar o sofrimento também traz agonia, quer dizer que você esta realmente perdendo o outro. E você sabe. Por isso muitas vezes quer prolongar o sofrimento o máximo possível, como se a dor pudesse suprimir o vazio da perda. Quem se perde para a morte só parar de existir para você quando se aceita sua morte. Enquanto isso não acontece...ele está de férias no caribe. E o portão rangendo pode ser a volta dele, os lençóis secando ao vento podem estar escondendo-o, a primeira ligação pela manhã pode ser ele... E você o mantem vivo assim, em um jogo de esquecer que ele está morto e logo depois lembrar que ele não está no caribe.
As vezes acordo de algum pesadelo onde algum ente querido meu morre. Fico muito aliviada quando vejo que ele está bem e a salvo. Suspiro e vou ao seu encontro... Dai acordo, de verdade, e vejo que ele está realmente morto e não vai voltar, como já sei a anos. Sim, anos. E mesmo assim ainda parece que mantenho a esperança dele voltar. Eu tenho plena consciência que ele não vai voltar, mas meus desejos de que tudo seja só um pesadelo me enganam. E não tem remédio ou fórmula mágica, só me resta seguir em frente.
E voltando a minha própria morte. Talvez eu morra hoje e talvez você morra hoje. E isso não é drama. São os fatos. Mas vão chorar e sofrer por nossa ausência. E depois superar. Estaremos vivos somente nas lembranças das pessoas. Só isso restará de nós. Não que eu seja alguma grande conhecedora da morte, essa nobre senhora só me visita sazonalmente e -como podem perceber por eu estar aqui escrevendo viva e não do além túmulo- nunca exigindo minha companhia. Temos diferentes experiências com a senhorinha, mas ela é sempre a mesma para todos.
Penso que a melhor maneira de morrer... é vivendo e compartilhando. Você pode até se dar muito bem sozinho e ser um lobo solitário. Mas o que fica quando partir? Pois eu te digo que o que fica é o que fica nos outros. Nada que possa construir sozinho. As marcas que conseguiu deixar em cada um. E para isso, basta entrega. Ser você mesmo e valorizar quem gosta de ter ao seu lado. Não consigo imaginar melhor destino para mim, do que residir em algumas histórias bobas com a participação de uma menina meio estranha, de cabelo meio azul, sanidade meio duvidosa e ... completamente morta.

domingo, 3 de março de 2013

#1 ensaio de texto


Eu quero que você se sinta mal. Quero que ande na chuva pela cidade, a noite. Que seus sapatos fiquem encharcados, deixando você consciente de cada passo incerto, sem rumo, que dá. Sozinho, sem ninguém para te amparar, com medo de virar a esquina e não encontrar ninguém. Ou de te encontrarem nessa situação deprimente. Medo de voltar, de ficar. Quero que persiga desconhecidos pelas calçadas de lugar algum, fingindo à si mesmo ser minimamente acolhido. E quando tiver uma pequena prova do amargo que é meu desespero, me veja.
Eu deixo você se sentar nesse muro de onde te observava, podemos repartir meu guarda-chuva florido. Ver os carros passarem e lembrar que não somos nada, como eles sempre me lembram, quando correm tão rápido... E então lembre-se que ninguém me ofereceu abrigo algum e que, mesmo eu não sendo nada, esse mundo torto também é meu. Assim como as flores desse guarda-chuva.

Eles ficam mais bonitos quando chove, os faróis.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Antes de se entregar a Morfeu


Às vezes me vejo no espelho antes de ir dormir, fito com sinceridade meus próprios olhos e penso que poderia mesmo amar alguém. Não quero ser egoísta, eu não precisaria sequer ser correspondida, mas eu poderia. Romantismo pode parecer antiquado, sempre achei, mas nada como meus pijamas para poder visualizar a simplicidade disso. Amar alguém.
Imagino o mar indo e vindo, eu poderia amar como o mar. Como a praia de noite. Deserta, mas só de botar os pés na areia sente-se mais importante, acolhido por algo maior que você. E quando percebe as ondas quebrando na areia, a força, descobre que poderia ficar ali para sempre e nada poderia atingi-lo... Enfim amanhece e junto com um lindo nascer do sol também chega outra notícia: você não é a última pessoa do mundo. Por mais que essa notícia possa parecer feliz, todo o riso que o sol louro trás ao mundo não se compara a aquele sentimento que cai sobre você a noite, plenitude, é assim que eu chamaria. E eu poderia amar alguém.
Em vez do reflexo das minhas pupilas do outro lado teria outrem onde eu poderia ver o mar quando analisasse os olhos. E seria ideal por alguns instantes, pois me encontraria plena nos olhos de outra pessoa. Sim, eu poderia amar alguém. Eu poderia me perder e mergulhar em alguém, submergir fundo onde ninguém mais me achasse. Quieta observando os raios de sol do outro lado do mundo. Dentro d’água eles podem ser tocados.
Desvio o olhar do espelho em um suspiro. Deito a cabeça em meu travesseiro. Romantismo é realmente antiquado... me reviro na cama antes de dormir.

domingo, 30 de setembro de 2012

El Tango


Completamente nua. Amarrada com firmeza à mesa de cirurgia, sem poder se mover. A mordaça abafara seus gritos, que há essa hora já haviam se esgotado. Todos morreram estrangulados em sua garganta, sem conseguir romper a barreira suja do pano de grosseiro algodão que enchia sua boca. Não poderia dizer se era bela ou desagradável. Era jovem, os pelos púbis começavam a nascer em seu corpo de moça.

Respirava com dificuldade sob o lençol que lhe cobria todo o corpo.
Me aproximei devagar, sentindo prazer em ver como ela tremia ao som de cada passo. Saboreei aquele momento desejando que fosse um quarto mais amplo. Gostaria de caminhar por horas até chegar ao seu encontro, só para vê-la sofrer tentando se contorcer a cada instante. Finalmente, cheguei ao seu encontro. Ouvia sua forte e inconstante respiração. Desesperada. Cheguei mais perto. Era
música. Quando ela sentiu minha presença acelerou sua sinfonia, como para me deixar mais excitado. Ouvindo esse convite, desci mais e encostei meu ouvido eu seu peito. O tambor batia e dava emoção àquela composição. Como se sua pele estivesse queimando ao meu toque. Ela forçava as correntes que a mantinham cativa, mais notas. No ritmo passei minha
mão por todo o seu corpo, sentindo sua agonia. Alimentando-me de sua inquietação.
Levantei-me de seu corpo trêmulo e me postei na cabeceira da mesa. Peguei a ponta do lençol e puxei, lentamente. Fazia o tecido deslizar e acariciar seu corpo. Quando destampei seus olhos... Paixão. Todo aquele tormento, toda aflição e medo do mundo pulavam em minha direção. Aqueles olhos fundos vidrados em mim. Tanta atenção,
toda volta à mim. Não pude me conter e lhe ofereci um sorriso. Estava radiante.
Não queria perder aquele momento. Corri para meus instrumentos para poder eterniza-lo. Voltei ao seu lado, não poderia deixar tão ilustre convidada sozinha por mais tempo depois de tê-la iniciado. A luz branca batia em seu corpo e ele parecia delicioso. E a melodia não cessava. Mostrei a ela meu bisturi e seus olhos... que olhos! Eles me ofereciam tudo que eu queria! Em troca
só podia oferecer meu alegre e mais sincero sorriso, novamente. Tão insignificante e me deixava tão feliz. Soltei as correntes que lhe prendiam as cintura e quadris, estava agora só presa pelos membros, gostaria de vê-la rebolar. E escolhi por onde começar.
Aqueles olhos me atraiam, queria que eles me acompanhassem até o final. Mas seus cabelos me incomodavam, tão sujos, não eram companhia adequada a tão belos olhos. Deitei o bisturi gentilmente na bandeja e o fiz
esperar, defini minha prioridade, limpar todo seu corpo antes de começar.
Peguei a navalha afiada que estava na mesma bandeja. E comecei a raspar sua cabeça. Primeiro as sobrancelhas. Depois o cabelo. Ela se contorcia e deixava o trabalho mais emocionante. Tão jovem, mas sabia como me provocar. Seus olhos sempre fixos em mim, como um convite a continuar. Após raspar toda sua cabeça, tive que raspar os poucos pelos púbis que tinha. E como ela se contorcia! Me deixava louco. Tive de força-
la contra a mesa para poder acabar o serviço.
Assim, pura, pude acordar meu bisturi. Fiz ágeis cortes verticais em suas bochechas. E não pude me controlar, soltei a mordaça, queria ouvir os gritos, os pedidos de socorro, de misericórdia. E ela pediu. Eu só podia lhe oferecer meu sorriso em troca, palavras não supriam minha satisfação. Rasguei lhe um braço na horizontal, ouvi seus gritos. Estava com
medo que perdesse muito sangue e desmaiasse, desviasse seus olhos inspiradores. Fui rápido. Deixei meu bisturi de lado e liguei a serra elétrica.
Primeiro a mão, o braço e depois de ver ela se contorcer um pouco mais, afoguei seus gritos em sangue quando lhe decapitei. Ainda sentia a ligação com seus olhos quando a cabeça voou a 2 metros de distancia.


Quando finalmente perdi seus olhos a sinfonia cessou. Cuidadosamente retirei minha inspiração de toda aquela carne morta e asquerosa. O sangue quente escorria da mesa quando apaguei as luzes e ultrapassei as portas do recinto com seus, agora meus, lindos olhos em mãos.










terça-feira, 12 de junho de 2012

Feijão com mel

Adoramos nos apaixonar: não importa por quem, onde ou quando. 'Amar' esta no topo da minha lista de prioridades essa estação.

 

Passa primavera e sua majestade, verão e suas cantigas, outono e sua hombridade, inverno e seus poemas, e em todos nos apaixonamos.

 Na primavera flores desabrocham e a vida submerge, mas nada amo mais que ti, meu amado Um. No verão há alegria em minha alma e sorrisos ao léu, mas nada amo mais que ti, meu amado Dois. No outono folhas tornam-se bailarinas ao canto do vento, só mais mil e um motivos para amar-te cada vez mais, amado Três. No inverno recolho-me a minha morada e do frio faço calor, tudo isso por ti, que esquenta meu coração e alma, és meu sol e minha amada, Quatro.

 No café da manhã, em vez de torradas, queremos paixão flamejante, no almoço, em vez de feijão, queremos grãos de cortesia imersos em mel e no jantar, fingimos jejum e assaltamos a geladeira, mas queremos amor embaixo das cobertas.

 

Enlaçamos nossos amados com garras, presas e pastilha sabor morango e os escondemos em um bolso apertado ao peito, junto ao coração. Rugimos desvairados em sua ausência e ronronamos de amor em sua presença. Fazemo-nos afáveis e domesticáveis, fingindo não ser fera. Penteando a juba com graxa e tratando dos chifres com lixas de unha.

 Somos feras, poetas e apetite quando se trata de amor.
 Eu amo.
 Tu amas.
 Ele ama.
 Nós amamos.
 Vós amais.
 Eles amam.

 E continuem a conjugar esse verbo um vez mais, por um motivo simples e banal: adoramos nos apaixonar.


 


sábado, 17 de dezembro de 2011

Nas dunas da ampulheta

Tenho tanta pressa de avançar no tempo. Ao mesmo tempo em que caio nos braços acolhedores da minha infância. Ah, minhas lembranças ensolaradas da infância! A sombra fresca de uma árvore e, só esticando minha mão, meu espírito, consigo sentir os raios de sol. Sinto o cheiro de maresia e o vento passando pelo meu rosto, e meu corpo, de braços abertos, após percorrer o bambuzal. Alguma coisa de mim vai com o vento e se perde pelo mundo. Alguma coisa do mundo se perde em mim. Uma vírgula e letras .e palavras. Lembro de pessoas queridas. Movem-se graciosamente, com olhos sorridentes na minha direção. Eu não volto. Elas também não. Tudo se dissipa no ar.
Imagino a velhice e acho-a na infância. Me imagino sozinha. Mas extremamente satisfeita. Como na minha infância o tempo vai parar e o movimento continuará. Vai passar atrás da minha cadeira(de balanço?), sorrateiramente. Como clandestino o movimento se faz quieto e passa sem que eu perceba, mais uma vez. O silêncio do movimento fazendo-se discreto e a ausência do tempo serão ignorados e desconhecidos como no início, serei criança novamente.
Agora, de que importa? Se construo o agora é porque acredito que terá um depois e tive o presente de um antes. ‘Crescer’ é algo extremamente irritante e entediante que eu espero nunca ter o desgosto de provar. Ter maturidade! Para os virtuosos e prudentes. Para alcançarmos a maturidade abandonamos nosso estado de florescência. Interromper a exalação por todos os poros e começar a concentrar a doçura. Alguns cessam seu estado de florescência, porém, por ainda serem imaturos, acabam amargos. Frutos verdes. Saber concentrar sua doçura ao paladar dos bem-afortunados e oferecer suas melhores cores ao mundo são artes de tempo e sabedoria. Todos são frutos de diferentes qualidades e amadurecem em processos diferentes. Ai está a beleza da atualidade. Querer provar todos os perfumes e sabores que puder. Coletar sementes, misturar e plantar todas no meu pomar.
Sigo em frente, de costas. E para trás, de frente. Minha curiosidade pelo passado e saudade do futuro seguem comigo.
tic-tac tic-tac

domingo, 11 de dezembro de 2011

Subnick/Status- O que escrever?

Olá ser cibernético, hoje estarei ensinando você a escrever um nick que estará levando muitos ‘curti’ no face. Iêpi!
1-Uma palavra trágica:
Sangue, morte, doença, cinzas, tragédia
2-Um vício:
Gula, gozar, tragar, beber, consumir
3-Palavra qualquer que contraste.
Rosas, cadeira, espera, quadros, revista, manchete, virada, gume
Resultado:
Meu corpo cheio de álcool e sangue na minha garrafa.
Velas tragam a felicidade, o fogo está dominado.
Um gole na morte: gozando com a vida.
Frase melosa, é nóis:
As rosas não justificam todas as cinzas que você me trouxe.

Tchram! Agora é só correr para o abraço!